Direitos perdidos de uma emigrante.

22 09 2009

No próximo Domingo, mais uma vez falharei eleições. Terei de rescindir do meu direito e do meu dever como cidadã. Porquê, perguntar-me-ão?

Porque sou emigrante.

Sim, eu sei que mesmo vivendo fora do país, posso votar. Mas apenas numa determinada circunstância: estando registada na embaixada do país acolhedor e deslocar-me à dita cuja para proceder ao acto eleitoral.

Ora, registo na embaixada (que tem de ser feito no mínimo 6 meses antes das eleições), apesar de extremamente burocrático, não implica grandes entraves (“apenas” os custos da deslocação à cidade onde se localiza a embaixada). Mas, para votar, uma segunda deslocação será nencessária. Eu sei que não parece muito. Mas em Inglaterra, não se pode escolher em que embaixada se regista. No meu caso, escolheria Londres porque a deslocação, se comprada previamente, não fica assim tão cara e a viagem é cerca de 1 hora. Mas não, não tenho direito a essa escolha, só me puderia registar na embaixada de Manchester (3.5 horas de distância e cerca de £40 libras para a deslocação, pressupondo que se volta no mesmo dia). Para este dinheiro e tempo perdido para usufruir do meu direito de votar, mais vale voar com a Ryanair para o Porto!

Mas até podia ter-me registado…. O motivo porque não o fiz (e acho que nunca o farei, se a razão for o voto) refere-se à minha estadia na Dinamarca, na qual fui forçada a perder três ocasiões de voto (legislativas, autárquicas e referendo europeu). Na altura, era estudante Erasmus e, como tal, não tinha direito a inscrição na embaixada da Dinamarca (só trabalhadores ou estudantes poderiam fazer, eu estava registada como estudante em Portugal, por isso não havia hipótese de registo). O voo para Portugal era cerca de  €300, para não falar de dias de trabalho que perdia (estava a fazer o estágio, por isso tinha de pedir dias ao meu chefe), pelo que se tornou impossível.

O que me incomoda nesta situação, para além de não puder ter voz no futuro do meu país e da minha cidade, é que apenas os emigrantes portugueses têm estes entraves! Os outros irmãos europeus oferecem inúmeras alternativas aos seus emigrantes para que não percam o direito de voto!

A maioria pode votar por carta, recebem o envelope em casa, votam e reenviam. Simples, fácil e democrático (pelo menos Espanha, França, Inglaterra, Alemanha e Itália).

Outros podem nomear alguém para votar em seu nome (o que para mim é a opção mais simples, já que evita o estigma de manipulação de votos por carta). Pelos menos França e Inglaterra oferecem esta alternativa.

Por isso pergunto-me: porque é que o meu país, tão virado a avanços tecnológicos (porque somos, acreditem que Portugal é um dos países mais avançados tecnologicamente, noutro post explicarei), continua tão retrógrada no sistema de votos?

E eu que tanto queria usar o meu direito a influenciar quem constituirá o próximo governo…

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