“Tu olhaste, depois sorriste, abriste a janela e voaste”

3 10 2010

Era o terceiro dia de Outubro do ano de 2004. Para muitos, mais um Domingo para relaxar e preparar mais uma semana que se aproximava.

Mas para uma menina, esse dia era um dia muito especial. Acordou com um coração pequenino, apertado numa mistura de receio, ansia e arrependimento. Mas porque raio tinha decidido abrir mão de uma vida perfeita e partir sozinha para um país tão longínquo, onde não conhecia pessoas, ruas, costumes, língua? … Mas o tique-taque do tempo não parava e a roda já tinha sido lançada. Tudo estava pronto, bilhete na mão, direcção aeroporto.

A despedida ainda hoje está turva. Por entre lágrimas, abraços, recomendações e muitas juras, o ritual lá foi cumprido e o adeus foi feito. Alguém ao lado perguntou “é a primeira vez que vais? Coitadinha, mas não te preocupes, a primeira vez é a que mais custa. Depois começas a habituar-te.” Sábia senhora…

O coração ficou lá, partido em bocados. O que a menina levava era tão pequenino que só a muito custo conseguiu começar a assentar na realidade e a apreciar o início de tão grande Aventura.

A roda rodava e continuaria a rodar.

O coração começou a voltar ao tamanho normal e com o tempo a ficar ainda maior. Mas a cabeça e as ideias foram aumentando ainda mais, em contraste com muitos tabus que foram sendo desafiados e eventualmente anulados. Com o tempo, também os lugares estranhos se tornaram familiares.

Muito aprendeu a menina. Entre o que mais a impressionou foi a amizade inerente ao ser humano, tão fácil formar-se uma segunda família com grandes diferenças de vida, de culturas mas com o mesmo fim, o de partilhar e ajudar.

Mas a roda rodava e continuaria a rodar.

A malvada despedida voltou, mais forte ainda com a incerteza do reencontro. A menina foi novamente abalada mas a roda voltara a ser lançada e nada a podia parar…

Corria o ano de 2005. Outro banal Domingo, desta vez o segundo dia do mês de Outubro, voltou a trazer mais uma despedida. Como a sábia senhora prevera, custou muito, mas nada como a primeira partida.

Um destino diferente. Um projecto diferente e bem mais longo. O coração da menina/mulher voltava a balançar n a incerteza do arrependimento.

Mas a roda rodava e continuaria a rodar.

Muito mudou na vida da menina. Mudou tanto que da menina nasceu a mulher. Mulher-nómada ou mulher-caracol, sente-se em casa em qualquer lado. A Aventura tem continuado e estará para continuar. A cabeça, as ideias vão-se mutando, adaptando. O coração cada vez maior, mais repartido e distribuído por vários cantos. No passaporte traz uma nacionalidade, mas no coração roubou-a ao grego, também ela é uma cidadã do mundo. Cava vez mais sente que só há fronteiras humanas. Impostas e teimosas. Físicas, psicológicas, culturais.

Mas a roda roda e continuará a rodar?

E daqui a outros 6 anos, onde estará?

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