Ai, saudades…

7 08 2010

Há medida que o tempo vai passando, Inglaterra tem se transformado na minha memória e ganho um carinho muito especial. Imensas coisas me deixam saudades, a variedade culinária a qualquer esquina, a boa educação e principalmente a tolerância para com os outros.

Mas hoje é um dia especial em Leicester. Hoje gostava lá estar para o famoso Leicester Caribbean Carnival. É um festival que sempre me foi muito especial, já que me trazia um bocadinho de tudo que mais falta me fazia: muitas cores, desfiles, música, comida na rua, tudo ao estilo dos meus queridos Santos Populares.  Quer S. Pedro estivesse de boa ou má disposição (no ano passado chovia cats and dogs), haveria sempre desfile a acabar no enorme Victoria Park, para logo confortar o estômago e os sentidos com um caril de cabrito com arroz de feijão.





Worst of England III

23 02 2010

Numa altura em que tanto se questiona a liberdade dos portugueses (não me vou alargar sobre isto, apenas vejo o poder dos media a crescer e controlar tudo o que é agenda política em Portugal…), gostava apenas de deixar uma ideia do que se passa actualmente em Inglaterra para que se possa relativizar a situação no nosso país.

Como toda a gente sabe, o UK foi alvo de ataques e muitas tentativas que abalaram e assustaram os cidadãos. Resultado? Leis anti-terrorismo têm sido implementadas que afectam o direito à privacidade e consequentemente à liberdade de toda a população.

1. Em todo o lado há CCTV (câmaras que filmam 24h/7). Por um lado, faz-nos sentir mais seguros já que se algo acontecer facilmente de prova quem são os responsáveis. No entanto, a criminalidade não diminuiu e está mais do que provado que a presença das câmaras não a evita… Para além disso, nunca ninguém conseguiu explicar o que acontece a todas as gravações: são guardadas por quanto tempo, vistas por quem, apagadas como?

2. Em 4 anos preenchi um número rídiculo de inquéritos onde sou obrigada a mencionar a minha religião, a minha etnia, etc. Quando questiono o porquê, que não quero dar esses dados por serem privados, dizem-me que é para garantir que todas as pessoas têm direito a emprego ou para saberem como lidar com a pessoa a nível médico… Eu continuo a achar que é uma extrema invasão da privacidade!!! Na minha universidade, pus que a minha etnia era outra e escrevi “cidadã do mundo”. Durante os 4 anos que lá estive, recebi 3-4 cartas a dizer que era imperioso que desse a informação correcta já que o meu ficheiro não poderia entrar na base de dados…

3. A nível dos media… Se me  parece que os media controlam a sociedade em Portugal (e pela amostra a que tenho acedido, são pessoas sem formação nenhuma!), aqui no UK é chocante! Claro que há sempre jornalismo de extrema qualidade e importância. Mas estou a falar das agências noticiosas. Por exemplo o caso dos McCann… As pessoas nem imaginam como a informação foi filtrada no UK! Eu ia lendo as notícias em Portugal, depois aqui e sinceramente parecem dois casos completamente diferentes!!! Por isso é que há tantos ingleses a defender os McCann… Mas isto dava material para mais um post e não me apetece.

4. DNA. Aqui, a partir do momento que se vai a uma esquadra, por exemplo para dar identidade devido a um acidente de carro, o DNA é recolhido e fica numa base de dados para sempre! O problema é que através dessa alargada base de dados, podem encontrar suspeitos através de familiars sem que as pessoas saibam que são elas que estão a denunciar a mãe, o pai, a irmã, o marido etc! Para mim isto é chocante! Não entrando em juizos de valor sobre o crime e o criminoso, nunca quereria estar a denunciar alguém que me é querido e ainda para mais sem o saber! É uma violação clara do meu direito de escolha! Esta base de dados ainda está a gerar um largo debate, mas para mim, desde que haja uma minoria contra, esta base de dados alargada não deveria existir!

5. Mas o que recentemente mais  me tem chocado são os inumeros relatos de fotógrafos amadores que, só por estarem a filmar/fotografar centros de cidades (por exemplo durante desfiles de Natal) são levados à esquadra e chegam a passar noites em celas! Chocante? Muito! Estas pessoas estavam calmamente a praticar o seu hobby quando polícias os interpelam por acharem o comportamento suspeito (ya, tirar fotos, muito suspeito!) e, mencionam o numero blabla secção blabla do acto anti-terrorista para exigir que o cidadão dê o seu nome e morada. Se o cidadão der, pedem por rádio para verificar se está nalguma base de dados terrorista; se não der, mudam de terrorismo para comportamento anti-social para justificar a prisão! Imaginem estarem sossegadamente a tirar fotos, ser interpelado por um polícia que acha que somos terroristas e quando nos apercebemos já estamos numa esquadra! De notar que aqui no UK não há bilhetes de identidade e as pessoas não são obrigadas por lei nenhuma a andar com identificação.

Conclusão, as sociedades ocidentais estão TODAS, sem excepção (França com os muçulmanos, por exemplo) a ameaçar as liberdades dos cidadãos. Não é correcto, em país nenhum. Mas acho essencial que se saiba que não é só neste ou naquele país que isto acontece. É em todos, sem excepção. E pessoalmente, pelo que me tenho apercebido, os media são o instrumento preferido para justificar estas restrições ao cidadão comum.





Worst of England II

22 02 2010

(from a Portuguese point of view)

E já agora, uma das inglesices que mais desgosto: a pontualidade inglesa! Sim, sim, a pontualidade!

Já sei que se todos fossemos pontuais ninguém ficaria à espera, ninguém desperdiçaria tempo…

Mas, dizer a convidados para aparecerem por volta das 7:00 e às 18:56 a campainha estar a tocar é demais!!! Principalmente, se por detrás da campainha estiver uma portuguesa que, não só ainda não tomou banho, como ainda está a acabar de preparer os aperitivos!

Resultado? Pois… Bacalhau com natas era bom, não era? Pois era… Foi antes um empadão de bacalhau sem sal…

Com o stress de tomar banho e arranjar-me enquanto os convidados subiam 4 andares de elevador, pôr a mesa com eles já sentados e enquanto cozinhava (e mencionei o facto de não gostar de cozinhar???), acabei por cozer as batatas em vez de as fritar!!!! Bacalhau com natas! … Era bom, pois era… Vergonha!!!!

E já há uns tempos, numa festarola organizada no meu mini-apartamento, dissemos a partir das 9:00 e claro, às 8:45 já estava a primeira convidada, sozinha, sentada na sala a olhar para mim e para o meu chico transformados em baratas tontas a acabar tudo… E vá lá que dessa vez eu até já estava arranjada! 😉 E como ela disse “fashionably early”… no comments!

Conlusão: quando convidarem ingleses estejam prontos meia hora antes do combinado porque é certinho que, pontuais como só eles, estarão à vossa porta entre 5-10 minutos antes da hora (sim, um confessou-me ter estado 15 minutos à porta, ao frio, para garantir que estava na minha casa à hora combinada…)!





Best of England III

21 02 2010

Sem dúvida iPlayer e 4oD.

O que é? Assim que os programas passam na televisão ficam disponíveis online nos canais da BBC ou do Channel4, durante um determinado período de tempo (mínimo uma semana).

Para quem? Para quem não gosta de televisão, ou melhor, para quem não quer estar restrito a esperar por determinada hora para ver algo interessante na tv (não é só em Portugal que a programação televisiva deixa muito a desejar) e se recusa a ver programas completamente irrelevantes (televonelas, programas de conversas e chás, etc, etc). Para quem trabalha horas estranhas. Para quem não quer pagar um balúrdio para ter os serviços por cabo. Para quem não aguenta esperar uma semana para ver o próximo episódio (eu espero até ao fim das séries e vejo tudo de rajada).

Porquê? Porque, apesar de não ter televisão, há muitos documentários, filmes, séries e até mesmo concursos interessantíssimos.

E um desses concursos que me acompanhou desde o início do ano foi o “So you think you can dance”. Para amantes de dança como eu (ver este e este post), este concurso é uma luxuria com vários estilos de dança executados por bailarinos excepcionais que, semana após semana, crescem a um ritmo inacreditável. E algumas das rotinas são tão mágicas que é impossível não ficar em transe emocional a seguir aqueles movimentos. O meu preferido; o que me deixou sem palavras, só com lágrimas nos olhos, mesmo nunca tendo passado por esse drama (felizmente):

PS: Já agora, nunca é demais relembrar que é essencial a auto-palpação. Para mais informações, clicar aqui.





Neve e viagens

13 01 2010

Quando vivi na Dinamarca, passei cerca de 2 meses rodeada de neve (neve a serio, metro de altura no minimo). Foi giro no inicio, mas à medida que os dias iam passando, a lama acumulada pelos caminhos reabertos todas as manhãs pelos limpa-neves tornaram uma vivência idílica numa rotina diária de limpeza de botas… No entanto, apenas no primeiro dia do nevão a minha vida foi afectada, já que rapidamente a sociedade entrou no modo “em neve”.

Em Inglaterra é diferente. Tudo bem, aqui no centro pelo menos não neva (nem está frio) como na Dinamarca. Contudo, todos os invernos que cá passei (e já conto 5) neva um bocadinho e às vezes a neve aguenta uns dias. Todos os anos é sempre a mesma confusão: transportes parados, estradas bloqueadas, pessoas presas em casa (ou como sempre achei, com desculpa ideal para não ir trabalhar).

Mas, vivendo a minha vidinha entre casa e laboratório (sempre vivi perto, para poder ir a qualquer hora ao lab, mesmo durante a noite), a neve nunca me afectou por aí além. Claro que alguma vez teria de ser a primeira! E quando é que me tinha de afectar? Mesmo antes do Natal! Pois é, devido à neve estive quase, quase a não poder passar o Natal em casa…

O meu voo, dia 21 de Dezembro, foi cancelado 10 minutos antes da hora de embarque. No início mantive a calma, “que giro, vou aprender os procedimentos de cancelamento de voos”, pensei. Mas à medida que os voos cancelados iam sendo debitados pelo altifalante, as contas foram sendo feitas e entre 1500-2000 pessoas estariam ali, numa fila com apenas dois assistentes à disposição, para tentar arranjar voos alternatives nos próximos 3 dias… Rapidamente apercebi-me da realidade e o panico começou a tentar instalar-se. Telefonei a pedir ajuda “vê-me voos, por favor, qualquer companhia, qualquer destino na peninsula”. Entretanto a informação que percorria a fila desesperada era que as únicas datas que estavam a ser apresentadas como alternative era dia 27 de Dezembro. WHAT??? E o Natal? Pelo telefone: “está tudo esgotado”! “Espera, arranjei um voo para amanhã, dia 22 de manhã!.” Uffa… É para Faro, mas ainda vou poder ir ao encontro annual com os meus amiguinhos…

1 hora depois “Olha, o voo de amanhã acabou de ser cancelado também”… … … ..  Novos telefonemas, e finalmente “Última vaga para lisboa, dia 24, depois vens para o Porto, pode ser” “Sim, quanto é?” “Deixa lá o preço, o que interessa é estares connosco no Natal”.

Sim, consegui passar o Natal com a família. Após 2 voos cancelados (do qual ainda não recebi resposta de reembolso da Ryanair, da Easyjet já devolveram o dinheiro do voo) e  €450 por um voo de última hora na TAP.

Conclusão 1: em época de Natal ou datas mesmo muito importantes no Inverno vou reconsiderar o uso das lowcost (das quais sou fã numero 1, já que as uso há 5 anos sem qualquer problema)…

Conclusão 2: Inglaterra devia preparar-se mesmo para Invernos rigorosos…





Mighty Weather

18 12 2009

The weather!

You can’t  hide from this reality!

People here talk about weather probably on an hourly basis. And when extreme (!!!) weather  conditions are predicted (and who can trust in weather forecasts??), being hot weather or snow, the english can’t help but re-schedule all their commitments.

It will be so hot that I will have to come to work really early otherwise I’ll melt down.

It’s going to snow, so I have to leave early, in case I get stuck in the road…

When do you learn that here IT DOES NOT SNOW or GETS HOT enough that you can’t carry on with your normal daily routine? You should move to a southern country to really know what hot weather is or to a northern country to really feel the constrictions of a proper snow fall…





Direitos perdidos de uma emigrante.

22 09 2009

No próximo Domingo, mais uma vez falharei eleições. Terei de rescindir do meu direito e do meu dever como cidadã. Porquê, perguntar-me-ão?

Porque sou emigrante.

Sim, eu sei que mesmo vivendo fora do país, posso votar. Mas apenas numa determinada circunstância: estando registada na embaixada do país acolhedor e deslocar-me à dita cuja para proceder ao acto eleitoral.

Ora, registo na embaixada (que tem de ser feito no mínimo 6 meses antes das eleições), apesar de extremamente burocrático, não implica grandes entraves (“apenas” os custos da deslocação à cidade onde se localiza a embaixada). Mas, para votar, uma segunda deslocação será nencessária. Eu sei que não parece muito. Mas em Inglaterra, não se pode escolher em que embaixada se regista. No meu caso, escolheria Londres porque a deslocação, se comprada previamente, não fica assim tão cara e a viagem é cerca de 1 hora. Mas não, não tenho direito a essa escolha, só me puderia registar na embaixada de Manchester (3.5 horas de distância e cerca de £40 libras para a deslocação, pressupondo que se volta no mesmo dia). Para este dinheiro e tempo perdido para usufruir do meu direito de votar, mais vale voar com a Ryanair para o Porto!

Mas até podia ter-me registado…. O motivo porque não o fiz (e acho que nunca o farei, se a razão for o voto) refere-se à minha estadia na Dinamarca, na qual fui forçada a perder três ocasiões de voto (legislativas, autárquicas e referendo europeu). Na altura, era estudante Erasmus e, como tal, não tinha direito a inscrição na embaixada da Dinamarca (só trabalhadores ou estudantes poderiam fazer, eu estava registada como estudante em Portugal, por isso não havia hipótese de registo). O voo para Portugal era cerca de  €300, para não falar de dias de trabalho que perdia (estava a fazer o estágio, por isso tinha de pedir dias ao meu chefe), pelo que se tornou impossível.

O que me incomoda nesta situação, para além de não puder ter voz no futuro do meu país e da minha cidade, é que apenas os emigrantes portugueses têm estes entraves! Os outros irmãos europeus oferecem inúmeras alternativas aos seus emigrantes para que não percam o direito de voto!

A maioria pode votar por carta, recebem o envelope em casa, votam e reenviam. Simples, fácil e democrático (pelo menos Espanha, França, Inglaterra, Alemanha e Itália).

Outros podem nomear alguém para votar em seu nome (o que para mim é a opção mais simples, já que evita o estigma de manipulação de votos por carta). Pelos menos França e Inglaterra oferecem esta alternativa.

Por isso pergunto-me: porque é que o meu país, tão virado a avanços tecnológicos (porque somos, acreditem que Portugal é um dos países mais avançados tecnologicamente, noutro post explicarei), continua tão retrógrada no sistema de votos?

E eu que tanto queria usar o meu direito a influenciar quem constituirá o próximo governo…