Somos o que nos deixam ser?

21 01 2012

Afinal somos feitos de quê? Há pessoas com personalidades fortes e marcantes ou é o conjunto espaço/tempo/personalidade que nos define?

Esta sociedade incute-nos a facilidade de sermos o que quisermos: apenas basta lutar dia-a-dia para transformar a nossa existência na nossa “dream-life”. Eu própria sempre acreditei nisso e sempre me esforcei por continuar a tentar transformar-me naquilo que quero ser.

Mas tendo vivido em 6 cidades de países diferentes, estou a chegar à conclusão que sozinhos, não é possível… Por mais fortes que sejamos, por mais esforço diário, somos uma combinação do que queremos e do que nos rodeia. Trocando por miúdos, por mais persistente que sejamos na transformação da nossa realidade, o sucesso depende não só do nosso empenho mas da aceitação do mundo que nos rodeia. Por mais esforço que seja feito, apenas será bem sucedido se for aceite pela comunidade… Ou isso ou tenho múltiplas personalidades!

Por exemplo, eu sou uma pessoa bastante cosmopolita. Gosto de caminhar entre muita gente desconhecida. Gosto de passar vezes sem conta na mesma rua e ser sempre surpreendida por algo novo, algo no qual nunca tinha reparado. Não gosto de entrar num café e conhecer todas as caras. Não gosto de ir na rua a saber a vida de todas as pessoas que me cruzam. Para mim, o mundo tem imensa piada com a minha imaginação e para isso preciso de caras novas, telas brancas nas quais me vou dispersando a preencher histórias, enredos, sentimentos, pensamentos. Como tal, não é de estranhar que me sinta perfeitamente “at home” em capitais ou cidades culturalmente activas. Nestas cidades sinto-me, sou e facilmente encontro pessoas que encaixam comigo e sem rodeios se tornam grandes amizades. Claro que gosto de chegar a um sitio e reconhecer algumas caras (os meus amigos), mas normalmente nestes sítios os desconhecidos dominam e o meu mundo continua a parecer um livro aberto, à espera de mais amizades, mais aprendizagem. O reencontro com caras conhecidas torna-se genuinamente delicioso. Um café, uma bebida ou até mesmo um jantar tornam-se óbvios e costumam ser sempre momentos para relembrar uma visa inteira. Pessoas com as quais lidávamos diariamente num sitio pequeno, transformam-se numa multitude de possibilidades. No entanto, em cidades mais pequenas, onde a comunidade se costuma conhecer muito bem, não consigo encaixar. Tenho andado a tentar perceber o porquê, afinal sou bastante adaptável, porque não me adapto a sítios mais pequenos? A conclusão à qual estou a chegar é que, em comunidades mais pequenas, não consigo ser eu própria. As pessoas costumam não ter muito mais que falar do que do seu dia-a-dia e, principalmente, do diz-que-disse e da vida dos outros. Não há exposições semanais, não há bares/cafés/restaurantes suficientes para experimentar sítios diferentes todas as semanas. Mas principalmente, as pessoas gostam de viver uma vida mais clássica, mais arquitetada: trabalho, casa, jantar, televisão, fim de semana com jantares em família, compras, televisão. Isto não é de modo algum uma critica a este tipo de rotina. Apenas é uma rotina na qual não me revejo, que me aborrece e não é uma escolha para mim mesma. Não me sinto confortável e, pior, começo a ficar atenta ao que digo e preocupo-me imenso se fui bem entendida ou não. Consequentemente, torno-me mais cautelosa, mais consciente de mim própria, das minhas palavras e ações. Como numa prisão interna, não consigo ser a pessoa care-free que “naturalmente” sou. E é aqui que quero chegar. O que somos naturalmente? Cada vez mais acho que depende do que nos rodeia, de quem nos rodeia. Somos aquilo que nos deixam ser. Dai a mudança seja sempre o melhor caminho para quem precisa de se encontrar de novo. Quanto a mim, esta mais do que provado que preciso de uma comunidade bastante activa, onde a maioria das pessoas sejam curiosas e constantemente insatisfeitas procurando novas ideias, novas formas de viver diariamente.

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Chegou!!!!!! :D

20 12 2011
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A historia da biblia contada por criancas do seculo XXI

18 12 2011

 

Muito bom! Visto na Andorinha





Vem ai, vem ai, vem ai!

17 12 2011
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Loucos à solta

13 12 2011

Ainda agora aqui cheguei, ainda mal parei de me queixar que pouco se passa por aqui e logo Liège aparece nas notícias pelas piores razões… Um homem  louco, mas mais louco ainda é a possibilidade de loucos assim terem armas de guerra em  casa. Como é possível? Onde as compram? Como ‘e que não há um sistema para alertar as autoridades?…

Na paragem de autocarro onde praticamente mudo de autocarro todos os dias, pessoas estariam furiosas com atrasos, a pensar nas palavras não ditas e ditas, a pensar em menus para jantar ou na roupa para  a entrevista de trabalho, a rever a lista de compras de Natal ou simplesmente a imaginar a vida da pessoa ao lado. E num abrir de fechar de olhos, todas estes pensamentos são violados por uma rajada de tiros, por granadas, pelo caos e por pânico.

Que mundo é este em que já nem se acaba com a própria vida sem danificar a vida de meros desconhecidos? Que  mundo é este que no mesmo dia em que um doido dispara sobre uma paragem de autocarros em Liege, um outro lunático dispara sobre senagales em Florença, matando-os pelo simples facto de serem pretos? Que mundo horrível é este?





Going Mac

13 12 2011

Today is the day I go Mac…

 

Will I ever go back?

 





De volta!

7 12 2011

Não, não vou esperar por 2012 por finalmente voltar a este cantinho…

A verdade é que os últimos meses presenciaram mais uma mudança na minha vida: desta vez mais um novo destino, um novo país, um novo projecto.

Mas, ao contrário de todas as outras mudanças, esta não foi e ainda não é uma mudança desejada ou planeada por mim.

Ser cientista é mesmo assim, bem o sei. São bolsas atrás de bolsas, todas com um inerente fim datado. Normalmente, ça va, como dizem os franceses. Mas desta vez, pas ça va para mim… Foram só 18 meses num lugar estimulante. Tanto cientificamente, como pessoalmente e culturalmente. A minha vida estava perfeita. E aprendia mais a cada dia. Principalmente a nível científico: cada seminário me fazia repensar os dogmas aprendidos na universidade, ouvi resultados tão frescos como chocantes, como o DNA provavelmente não ser formado por duas cadeias entrelaçadas mas sim quatro… Ciência de ponta era feita todos os dias, lentamente como este tipo de investigação fundamental é, mas notava-se o avanço, principalmente o avanço de mentalidades que ajudam a formular questões mais acertadas mas que antes eram impensáveis. Mas, a bolsa acabou e com ela a minha vida em crescimento que tão bem me sabia após um penoso doutoramento. Poderia ter havido uma continuação, uma nova bolsa, mas esse doutoramento penoso não me permite avançar mais, a minha orientadora de PhD continua a manter todo o meu trabalho numa gaveta por não precisar dele…

Mas voltando à mudança, pois foi em Julho que a proposta surgiu, em Agosto concretizou-se e lá disse que sim. Afinal, neste tempo de crise quem pode dizer que não a uma oferta de emprego? Lá engolei em seco, calei o meu coração e decidi que a Belgica seria o meu novo destino.

Entretanto veio a India, uma viagem à parte, experência unica sobre a qual tentarei deixar aqui um testemunho. E depois da India, a mudança, o caos de novo na minha vida.

Cheguei a Liege ha 1 mes. Chorei no caminho a deixar Paris, chorei ao chegar de desespero por ver o meu sitio novo… Muito me tem penado neste mês e basicamente anseio como louca por me sentir mais confortável num sítio que nada tem a ver comigo… Trabalho com pessoas que consideram uma viagem a Bruxelas como algo so fazivel uma vez por ano (é menos de 1 hora de carro…). A Terra para eles tem o mesmo tamanho que o Universo tem para mim. E os cheques já começaram a acontecer embora eu esteja a tentar manter-me aberta, mesmo que isso implique estar aberta a pessoas muito, muito fechadas…

Entretanto, busco desesperadamente por estrangeiros por aqui caidos. Ja contactei alguns, espero respostas… Sei que é apenas um mês, mas este é o tipo de sítios em que é fundamental um circulo de amigos, já que a cidade ou a rotina diária não chegam.

Hoje, por exemplo, há greve geral em solidariedade para com trabalhadores de metalurgicas que vão fechar. A maior economia/centro de emprego da cidade. Claro que compreendo e aceito. Agora, o que não entendo é como não são assegurados os services minimos de transportes publicos. Zero autocarros. Zero. E eu trabalho num hospital! Nada! Conclusão: também tive de fazer greve e ficar em casa… Nem no país das greves (França) isto acontecia!

Bem, pelo menos já fiz e encomendei os presentes de Natal. Motivou-me um pouco, principalmente porque daqui a 2 semanas já estou com quem me quer bem, no país mais espectacular de todos por onde passei: Portugal!