Portugal: uma curta perspectiva

22 10 2009

Apesar da já estar de “ferias” há duas semanitas, só agora vim a casa matar saudades (culpa dos papis que andam sempre a arrastar a malinha por esse mundo fora).

E estando há dois dias cá no cantinho, algumas caracteristicas que me fazem comichão vão sendo relembradas, a apontar:

1. Resmungar! Por tudo e por nada, sem pudor nem vergonha. Num passeio de 2 horitas pelo centro da cidade vi uma chávena de café ser partida (que desgraça) a anteceder os gritos de uma senhora ao seu marido “Foste tu com o jornal!”; um casalinho de adolescentes, caminhando à minha frente, onde a menina (será característica do XX?) passou 10 minutos a resmungar com o rapaz… E isto são apenas exemplos para não falar do estado do país (como se os mesmíssimos problemas não existissem noutros países), do tempo (ai o frio! Que frio… 😉 ) e sei lá do que mais.

2. Mania de falar sem conhecimentos. Não vou debater a polémica sobre Saramago e o seu novo livro (que já cá canta). Mas assim de repente, parece que todas as pessoas leram a Bíblia (!?!) e o livro que acabou de sair (tudo bem que é pequenino, mas custa-me a crer…)! Tudo fala sobre tudo, o que por si só seria um óptimo sinal se fosse precedido por uma pesquisa sobre determinado assunto. Mas não. Fala-se por se falar. Todas têm opinião sobre tudo, mas muitas vezes essa opinião é extremamente infundada e nasce mais do “para ser do contra” do que por uma justa ponderação dos argumentos.

3.  Falta dinheiro mas sempre que cá venho só vejo pessoas vestidas e arranjadas com os últimos gritos da moda, com excelentes telefones (e em Portugal telefones são caríssimos), acabados de chegar de viagens espectaculares, tudo com carros, tudo com portáteis e maquinas fotográficas XPTO… Enfim, não percebo muito bem como tudo isto é possível, mas juro que não consigo ver muita pobreza, pelo menos nos centros das cidades.

4. Televisão!!!! Dio mio! Mas o que é aquilo!!!! Nada, nadica de nada de jeito!!! Os mesmos telejornais, as mesmas notícas. Os mesmos concursos e aquelas coisas de telenovelas… Onde estão os filmes? E os documentários? O que fazem as pessoas quando só apetece enrolar no sofá e abstrair do mundo?

5. Orgulhosos do país mas só para resmungar contra alguém. Como por exemplo no caso da actriz brasileira, onde não me pareça haver ofensa nacional nenhuma, apenas uma certa demência e ignorância de uma senhora que todos julgávamos culta e elegante…

A sério, Portugal é o máximo! Morro de saudades da qualidade de vida que se tem neste cantinho, com este tempo genial, gente bonita e comida deliciosa. Mas espero que as pessoas comecem a abrir os olhos durante essas inúmeras viagens, comparem e se apercebam da riqueza que há por cá! E já agora, comecem a exigir um entretenimento televisivo de maior qualidade! Ah, e lá por o vizinho ter umas botas/carro/ televisão de não sei quantos euros, nem todos temos de gostar das mesmas coisas, muito menos parecer iguais! Onde uns gastam, poupam outros e vice-versa!





Eleições Portugal 2009

26 09 2009

Uma ferramenta essencial para os indecisos: http://www.bussolaeleitoral.pt/





Direitos perdidos de uma emigrante.

22 09 2009

No próximo Domingo, mais uma vez falharei eleições. Terei de rescindir do meu direito e do meu dever como cidadã. Porquê, perguntar-me-ão?

Porque sou emigrante.

Sim, eu sei que mesmo vivendo fora do país, posso votar. Mas apenas numa determinada circunstância: estando registada na embaixada do país acolhedor e deslocar-me à dita cuja para proceder ao acto eleitoral.

Ora, registo na embaixada (que tem de ser feito no mínimo 6 meses antes das eleições), apesar de extremamente burocrático, não implica grandes entraves (“apenas” os custos da deslocação à cidade onde se localiza a embaixada). Mas, para votar, uma segunda deslocação será nencessária. Eu sei que não parece muito. Mas em Inglaterra, não se pode escolher em que embaixada se regista. No meu caso, escolheria Londres porque a deslocação, se comprada previamente, não fica assim tão cara e a viagem é cerca de 1 hora. Mas não, não tenho direito a essa escolha, só me puderia registar na embaixada de Manchester (3.5 horas de distância e cerca de £40 libras para a deslocação, pressupondo que se volta no mesmo dia). Para este dinheiro e tempo perdido para usufruir do meu direito de votar, mais vale voar com a Ryanair para o Porto!

Mas até podia ter-me registado…. O motivo porque não o fiz (e acho que nunca o farei, se a razão for o voto) refere-se à minha estadia na Dinamarca, na qual fui forçada a perder três ocasiões de voto (legislativas, autárquicas e referendo europeu). Na altura, era estudante Erasmus e, como tal, não tinha direito a inscrição na embaixada da Dinamarca (só trabalhadores ou estudantes poderiam fazer, eu estava registada como estudante em Portugal, por isso não havia hipótese de registo). O voo para Portugal era cerca de  €300, para não falar de dias de trabalho que perdia (estava a fazer o estágio, por isso tinha de pedir dias ao meu chefe), pelo que se tornou impossível.

O que me incomoda nesta situação, para além de não puder ter voz no futuro do meu país e da minha cidade, é que apenas os emigrantes portugueses têm estes entraves! Os outros irmãos europeus oferecem inúmeras alternativas aos seus emigrantes para que não percam o direito de voto!

A maioria pode votar por carta, recebem o envelope em casa, votam e reenviam. Simples, fácil e democrático (pelo menos Espanha, França, Inglaterra, Alemanha e Itália).

Outros podem nomear alguém para votar em seu nome (o que para mim é a opção mais simples, já que evita o estigma de manipulação de votos por carta). Pelos menos França e Inglaterra oferecem esta alternativa.

Por isso pergunto-me: porque é que o meu país, tão virado a avanços tecnológicos (porque somos, acreditem que Portugal é um dos países mais avançados tecnologicamente, noutro post explicarei), continua tão retrógrada no sistema de votos?

E eu que tanto queria usar o meu direito a influenciar quem constituirá o próximo governo…