Bird’s eye

22 03 2010

Estava com uma directa em cima, mas o dia estava com uma luminosidade tão perfeita que não consegui tirar os olhos da janela. E, lá pelo meio de muitas montanhas, um aglomerado de casas chama-me a atenção… Será que é? É tão longe… Mas parece mesmo! Até parece a barragem ali ao lado! Tirei a foto para depois comparar com uma imagem de satélite e… era mesmo! Aqui está, uma foto aérea da terra da minha mami!

E como a viagem continuou a oferecer-me uma vista fantástica, a chegada ao Porto ofereceu-me este espectáculo:

Que me lembrou de, há uns bons anos atrás, a minha linda cidade me ter recebido assim:

E é por estas pérolas que não percebo as pessoas que mal chegam ao avião fecham os olhos e só os abrem depois da aterragem! 😉

PS: Ryanair: don’t you want to start sponsoring my trips? I can take loads of pictures and post them here! 😉




Shame on me!

22 01 2010

Reparei agora que 2009 foi o ano em que menos viajei desde os  meus 10 aninhos…

Mas já estou a tratar disso… 😉





Haiti e a hipocrisia humana

19 01 2010

Não vou falar da catástrofe causada pela Natureza. Prefiro falar da catástrofe causada por nós, humanos.

Adoro viajar de cruzeiro e aconselho a todos, especialmente para viagens com a família. Talvez noutro post fale dos porquês mas hoje quero apenas relembrar o único destino que me deixou uma sensação muito estranha na barriga: o Haiti.

Se não me engano, já foi em 2001. Como normalmente, tinhamos viajado de noite vindos da Jamaica ou das Ilhas Caimão e quando acordamos estavamos em mais um porto, num novo destino. As primeiras impresses foram espectaculares, o verdadeiro paraíso na terra. Um mar azul-esverdeado, areia branquinha rodeada por orlas de palmeiras que se perdiam pelas encostas esverdejantes das montanhas à nossa volta. Já na altura de escolher a excursão no Haiti achamos estranho não haver uma alternativa cultural, por exemplo à capital Port-au-Prince. Não, no Haiti só mesmo praia… O meu pai torceu o nariz (não gosta de praia e para isso ficavamos no nosso Portugal) mas lá desenbarcamos.

À nossa espera estava um autêntico festival: espectáculos com danças tradicionais,  mercados com imensos artigos artesanais, muita comida tradicional à disposição, bares a fazer cocktails,estiradeiras, águas de coco, etc, etc, etc. As fotografias são geniais, e os recantos pareciam desenhados por um famoso arquitecto paisagista de tão paradisíacos que eram. Para lá desse festival, nada da civilização. No mercado, perguntava aos vendedores onde moravam. Não respondiam, só riam e tentavam vender, claro.

Resolvi explorar o mar de Kayak. Eramos um grupo grande com dois ou três monitores que insistiam para não nos afastarmos deles mas sobretudo para não passarmos uma peninsula mais à frente. Ora, cá a C., curiosa como sempre e já super intrigada por não haver civilização à vista para sustentar todo aquele luxo, logo me dirigi para lá num momento de distracção dos monitores. A minha mana e mais umas pessoas também vieram e lá passamos a curva. E o que vi só pode ser explicado por este anúncio da Malibu. Mas ainda estavamos longe e começamos a remar para lá, onde umas crianças já nos acenavam da praia. Queria? Queria muito, mas os monitores depressa vieram puxar-nos aos gritos que não podíamos ter ido até ali e tinhamos desrespeitado as ordens… Basicamente tinhamos visto o que a companhia Royal Caribbean não queria que vissemos no Haiti: pobreza… Quando cheguei a casa, pesquisei e lá percebi que afinal não tinha estado no Haiti coisa nenhuma. Laberdeen é uma praia privada, pertencente à gigante companhia de cruzeiros, onde eles levam os turistas totós (como eu) fingindo que os estão a deixar riscar Haiti da listinha… Foi o único sítio que visitei que senti isto, onde “fui” sem ter ido…

E porquê falar disto agora? Porque apesar de toda a catástrofe, apesar dos aeroportos e portos estarem fechados e a ajuda não poder chegar a quem precisa, a Royal Caribbean continua a desembarcar no porto de Laberdeen, a cerca de 200 km de Port-au-Prince… Pelos vistos há turistas que ficam indignados aos quais a companhia diz “se ficam incomodados, não saiam do barco”…

Parece que após o choque internacional, disponibilizou-se a dar estiradeiras aos hospitais, assim como oferecer o dinheiro que os turistas pagam pelo dia na praia de Labardeen para ajuda humanitária. Se o fizerem, nem tão mal, mas este episódio voltou a lembrar-me de como esta visita me incomodou, apesar de ter estado num dos sitios naturalmente mais bonitos que já vi…

Por estas e por outras que tenho certas duvidas se voltarei a viajar com esta companhia…





Neve e viagens

13 01 2010

Quando vivi na Dinamarca, passei cerca de 2 meses rodeada de neve (neve a serio, metro de altura no minimo). Foi giro no inicio, mas à medida que os dias iam passando, a lama acumulada pelos caminhos reabertos todas as manhãs pelos limpa-neves tornaram uma vivência idílica numa rotina diária de limpeza de botas… No entanto, apenas no primeiro dia do nevão a minha vida foi afectada, já que rapidamente a sociedade entrou no modo “em neve”.

Em Inglaterra é diferente. Tudo bem, aqui no centro pelo menos não neva (nem está frio) como na Dinamarca. Contudo, todos os invernos que cá passei (e já conto 5) neva um bocadinho e às vezes a neve aguenta uns dias. Todos os anos é sempre a mesma confusão: transportes parados, estradas bloqueadas, pessoas presas em casa (ou como sempre achei, com desculpa ideal para não ir trabalhar).

Mas, vivendo a minha vidinha entre casa e laboratório (sempre vivi perto, para poder ir a qualquer hora ao lab, mesmo durante a noite), a neve nunca me afectou por aí além. Claro que alguma vez teria de ser a primeira! E quando é que me tinha de afectar? Mesmo antes do Natal! Pois é, devido à neve estive quase, quase a não poder passar o Natal em casa…

O meu voo, dia 21 de Dezembro, foi cancelado 10 minutos antes da hora de embarque. No início mantive a calma, “que giro, vou aprender os procedimentos de cancelamento de voos”, pensei. Mas à medida que os voos cancelados iam sendo debitados pelo altifalante, as contas foram sendo feitas e entre 1500-2000 pessoas estariam ali, numa fila com apenas dois assistentes à disposição, para tentar arranjar voos alternatives nos próximos 3 dias… Rapidamente apercebi-me da realidade e o panico começou a tentar instalar-se. Telefonei a pedir ajuda “vê-me voos, por favor, qualquer companhia, qualquer destino na peninsula”. Entretanto a informação que percorria a fila desesperada era que as únicas datas que estavam a ser apresentadas como alternative era dia 27 de Dezembro. WHAT??? E o Natal? Pelo telefone: “está tudo esgotado”! “Espera, arranjei um voo para amanhã, dia 22 de manhã!.” Uffa… É para Faro, mas ainda vou poder ir ao encontro annual com os meus amiguinhos…

1 hora depois “Olha, o voo de amanhã acabou de ser cancelado também”… … … ..  Novos telefonemas, e finalmente “Última vaga para lisboa, dia 24, depois vens para o Porto, pode ser” “Sim, quanto é?” “Deixa lá o preço, o que interessa é estares connosco no Natal”.

Sim, consegui passar o Natal com a família. Após 2 voos cancelados (do qual ainda não recebi resposta de reembolso da Ryanair, da Easyjet já devolveram o dinheiro do voo) e  €450 por um voo de última hora na TAP.

Conclusão 1: em época de Natal ou datas mesmo muito importantes no Inverno vou reconsiderar o uso das lowcost (das quais sou fã numero 1, já que as uso há 5 anos sem qualquer problema)…

Conclusão 2: Inglaterra devia preparar-se mesmo para Invernos rigorosos…