“Trust me, I’m a doctor”

3 02 2010

E desde dia 29 Janeiro 2010 sou oficialmente Doutora!  :)

Custou muito, poderei ter “desperdiçado” alguns dos melhores anos da minha vida para este doutoramento, mas valeu a pena!

Aprendi muito mais do que qualquer licenciatura (das antigas, of course) me poderia ensinar, mas acima de tudo sinto que me tornei cientista, com capacidade crítica suficiente para analisar escrupulosamente os resultados.

Custou ser tratada durante tanto tempo como “estudante”, custa ainda ouvir “quando arranjas emprego”, custa sentir o fosso entre a vida científica e as profissões mais ou menos “normais”. Durante estes anos, todos os “outros” trabalharam com 14 salários bem rechonchudos, descontam para a reforma, têm planos de saude, muitos já têm carro, casa, alguns até família! Seguir para doutoramento e, depois, para uma vida em investigação implica sacrifícios e abrir mão de muitos benefícios sociais.  Mas a paixão e a certeza de que trabalhamos para o futuro de todos compensam e no fim, tudo vale mesmo a pena.

Estou feliz. Não pelo título que adquiri, mas pelo meu trabalho que o título reconhece. É que ser doutorado é muito mais do que os doutores e engenheiros licenciados. Não é um prémio pelas cruzinhas feitas em exames durante 5 anos (e agora 3… vergonha…). É a recompensa e o reconhecimento pelo trabalho, muitas vezes solitário, que desenvolvemos e que contribui para o avanço no conhecimento de uma determinada área.

E agora? Agora venham as pipetas e os eppendorfs e que se faça ciência! ;)





Countdown almost over…

28 01 2010

-1 para o grande dia…

Estou nervosa, com medo mas acima de tudo bastante excitada e curiosa.

Amanha por esta hora ja estara tudo acabado?

Fingerscrossed…





Shame on me!

22 01 2010

Reparei agora que 2009 foi o ano em que menos viajei desde os  meus 10 aninhos…

Mas já estou a tratar disso… ;)





Sushisada

21 01 2010

Quando fiz Erasmus, em 2005, a irmã de uma japonesa estava a visitá-la e resolveram organizar uma Sushi Party. Foi uma loucura e soube ainda melhor por termos sido nós próprios a fazer.

Mas, claro, leram bem… Com ajuda de 2 japonesas!

Noutro dia lembrei-me de voltar a tentar e why not? Telefonar a uns amigos, comprinhas, prepar o arroz, cortar os ingredients e começar a enrolar quando o pessoal chegar! E num instantinho, sushi para 7! Claro que uns estavam melhores e mais bonitinhos do que outros, mas foi uma noite espectacular e a repetir!

PS: E eu que detesto cozinhar, acho que encontrei a receita que não me importo mesmo nada de fazer!





Haiti e a hipocrisia humana

19 01 2010

Não vou falar da catástrofe causada pela Natureza. Prefiro falar da catástrofe causada por nós, humanos.

Adoro viajar de cruzeiro e aconselho a todos, especialmente para viagens com a família. Talvez noutro post fale dos porquês mas hoje quero apenas relembrar o único destino que me deixou uma sensação muito estranha na barriga: o Haiti.

Se não me engano, já foi em 2001. Como normalmente, tinhamos viajado de noite vindos da Jamaica ou das Ilhas Caimão e quando acordamos estavamos em mais um porto, num novo destino. As primeiras impresses foram espectaculares, o verdadeiro paraíso na terra. Um mar azul-esverdeado, areia branquinha rodeada por orlas de palmeiras que se perdiam pelas encostas esverdejantes das montanhas à nossa volta. Já na altura de escolher a excursão no Haiti achamos estranho não haver uma alternativa cultural, por exemplo à capital Port-au-Prince. Não, no Haiti só mesmo praia… O meu pai torceu o nariz (não gosta de praia e para isso ficavamos no nosso Portugal) mas lá desenbarcamos.

À nossa espera estava um autêntico festival: espectáculos com danças tradicionais,  mercados com imensos artigos artesanais, muita comida tradicional à disposição, bares a fazer cocktails,estiradeiras, águas de coco, etc, etc, etc. As fotografias são geniais, e os recantos pareciam desenhados por um famoso arquitecto paisagista de tão paradisíacos que eram. Para lá desse festival, nada da civilização. No mercado, perguntava aos vendedores onde moravam. Não respondiam, só riam e tentavam vender, claro.

Resolvi explorar o mar de Kayak. Eramos um grupo grande com dois ou três monitores que insistiam para não nos afastarmos deles mas sobretudo para não passarmos uma peninsula mais à frente. Ora, cá a C., curiosa como sempre e já super intrigada por não haver civilização à vista para sustentar todo aquele luxo, logo me dirigi para lá num momento de distracção dos monitores. A minha mana e mais umas pessoas também vieram e lá passamos a curva. E o que vi só pode ser explicado por este anúncio da Malibu. Mas ainda estavamos longe e começamos a remar para lá, onde umas crianças já nos acenavam da praia. Queria? Queria muito, mas os monitores depressa vieram puxar-nos aos gritos que não podíamos ter ido até ali e tinhamos desrespeitado as ordens… Basicamente tinhamos visto o que a companhia Royal Caribbean não queria que vissemos no Haiti: pobreza… Quando cheguei a casa, pesquisei e lá percebi que afinal não tinha estado no Haiti coisa nenhuma. Laberdeen é uma praia privada, pertencente à gigante companhia de cruzeiros, onde eles levam os turistas totós (como eu) fingindo que os estão a deixar riscar Haiti da listinha… Foi o único sítio que visitei que senti isto, onde “fui” sem ter ido…

E porquê falar disto agora? Porque apesar de toda a catástrofe, apesar dos aeroportos e portos estarem fechados e a ajuda não poder chegar a quem precisa, a Royal Caribbean continua a desembarcar no porto de Laberdeen, a cerca de 200 km de Port-au-Prince… Pelos vistos há turistas que ficam indignados aos quais a companhia diz “se ficam incomodados, não saiam do barco”…

Parece que após o choque internacional, disponibilizou-se a dar estiradeiras aos hospitais, assim como oferecer o dinheiro que os turistas pagam pelo dia na praia de Labardeen para ajuda humanitária. Se o fizerem, nem tão mal, mas este episódio voltou a lembrar-me de como esta visita me incomodou, apesar de ter estado num dos sitios naturalmente mais bonitos que já vi…

Por estas e por outras que tenho certas duvidas se voltarei a viajar com esta companhia…





Visita inesperada

17 01 2010

O roxo chamou-me a atenção, mas como há 1 ano e meio que só via verde, achei que não podia estar a ver bem e continuei a conversar. Mas o roxo continuou lá. E eu a insistir que não, não podia ser…

Meia hora depois, a curiosidade foi maior e lá fui espreitar. E para grande espanto meu, o roxo estava lá, a marcar uma chegada extremamente inesperada! Ainda sem acreditar, removi alguns bloquinhos de madeira e lá estava ela, um pequenino milagre a olhar para mim. Com muito cuidado, procurei o caule e puxei-o do emaranhado de raízes e madeira. E foi aí que os meus olhos se arregalaram, a surpresa ainda não tinha terminado! Mais 6 bolbinhos prontos a abrir! Nem queria acreditar! Ao fim de 1 ano e meio de verde, a minha orquídea resolveu agraciar-me com (para já) 7 flores! 7! E foi o mesmo que receber 7 beijinhos dos meus papis, já que foram eles que me deram esta planta.





Atenção Guimarães!

16 01 2010

Hoje à noite há um concerto de Concha Buika, uma cantora dotada de uma voz potentíssima!

Foi a banda Sonora do capítulo 6 da minha tese. ;) Uma mistura de sons, tendências que resulta numa música que duvido que deixe alguém indiferente.

Nunca vi ao vivo, mas se estivesse em Portugal não perderia este concerto!





Neve e viagens

13 01 2010

Quando vivi na Dinamarca, passei cerca de 2 meses rodeada de neve (neve a serio, metro de altura no minimo). Foi giro no inicio, mas à medida que os dias iam passando, a lama acumulada pelos caminhos reabertos todas as manhãs pelos limpa-neves tornaram uma vivência idílica numa rotina diária de limpeza de botas… No entanto, apenas no primeiro dia do nevão a minha vida foi afectada, já que rapidamente a sociedade entrou no modo “em neve”.

Em Inglaterra é diferente. Tudo bem, aqui no centro pelo menos não neva (nem está frio) como na Dinamarca. Contudo, todos os invernos que cá passei (e já conto 5) neva um bocadinho e às vezes a neve aguenta uns dias. Todos os anos é sempre a mesma confusão: transportes parados, estradas bloqueadas, pessoas presas em casa (ou como sempre achei, com desculpa ideal para não ir trabalhar).

Mas, vivendo a minha vidinha entre casa e laboratório (sempre vivi perto, para poder ir a qualquer hora ao lab, mesmo durante a noite), a neve nunca me afectou por aí além. Claro que alguma vez teria de ser a primeira! E quando é que me tinha de afectar? Mesmo antes do Natal! Pois é, devido à neve estive quase, quase a não poder passar o Natal em casa…

O meu voo, dia 21 de Dezembro, foi cancelado 10 minutos antes da hora de embarque. No início mantive a calma, “que giro, vou aprender os procedimentos de cancelamento de voos”, pensei. Mas à medida que os voos cancelados iam sendo debitados pelo altifalante, as contas foram sendo feitas e entre 1500-2000 pessoas estariam ali, numa fila com apenas dois assistentes à disposição, para tentar arranjar voos alternatives nos próximos 3 dias… Rapidamente apercebi-me da realidade e o panico começou a tentar instalar-se. Telefonei a pedir ajuda “vê-me voos, por favor, qualquer companhia, qualquer destino na peninsula”. Entretanto a informação que percorria a fila desesperada era que as únicas datas que estavam a ser apresentadas como alternative era dia 27 de Dezembro. WHAT??? E o Natal? Pelo telefone: “está tudo esgotado”! “Espera, arranjei um voo para amanhã, dia 22 de manhã!.” Uffa… É para Faro, mas ainda vou poder ir ao encontro annual com os meus amiguinhos…

1 hora depois “Olha, o voo de amanhã acabou de ser cancelado também”… … … ..  Novos telefonemas, e finalmente “Última vaga para lisboa, dia 24, depois vens para o Porto, pode ser” “Sim, quanto é?” “Deixa lá o preço, o que interessa é estares connosco no Natal”.

Sim, consegui passar o Natal com a família. Após 2 voos cancelados (do qual ainda não recebi resposta de reembolso da Ryanair, da Easyjet já devolveram o dinheiro do voo) e  €450 por um voo de última hora na TAP.

Conclusão 1: em época de Natal ou datas mesmo muito importantes no Inverno vou reconsiderar o uso das lowcost (das quais sou fã numero 1, já que as uso há 5 anos sem qualquer problema)…

Conclusão 2: Inglaterra devia preparar-se mesmo para Invernos rigorosos…





Pandora, the GFP world

11 01 2010

Adorei o filme, os efeitos estão excelentes, a história é fraquinha mas a caracterização das personagens raptaram a minha imaginação e durante o filme também eu tive um Avatar a viver em Pandora.

E claro, como cientista, não conseguia parar de ver GFP por  todo aquele mundo … ;)





Happy MMX!

8 01 2010

Por estas alturas está tudo a fazer balanços do ano que finou e resoluções para o novo ano, como se todos recebessem uma nova vida como prenda de Natal.

Eu nunca fiz listas nem balanços, até porque vivendo sempre em meio educacional (os meus pais são professors e trabalho numa universidade), os meus anos reiniciam-se sempre em Setembro. É só ver-me entre a areia e o mar de Agosto a ponderar em tudo que aconteceu, recobrar energias e retomar a vida em Setembro com uma alma nova.

No entanto, este ano parece-me diferente. Pela primeira vez sinto que realmente o fim de 2009 traz com ele o fim de um ciclo, finalmente encerrei o meu percurso académico ao fim de 20 anos de estudos. Tenho finalmente os canudos necessários (bem o ultimo ainda não, mas no fim de Janeiro já conto com ele) e estou finalmente munida para atacar a minha carreira. Também as prespectivas de um novo destino, uma nova vida, aumentam esta sensação de que algo realmente acabou e  2009 será o meu último ano a viver em Inglaterra.

Portanto, pela primeira vez faço um balanço de um ano que acabou.

2009 foi um ano introspectivo, de muito trabalho, muita frustação mas também paciência e acima de tudo perseverança. A minha vida de estudante terminou.

E para 2010? Para já um novo destino, um novo projecto. Muito entusiasmo e ansiedade. Mas acima de tudo, como desejo sempre ao engolir as 12 passas, só espero que todos os meus alicerces estejam felizes e com saúde e facilmente o meu ano será também feliz.

2010, ou MMX, tem potencial para ser um ano mágico de mudanças. Eu cá estarei pronta a aproveitar tudo que se cruzar no meu caminho.

A todos que por aqui passam: um Bom Ano!