Ojos de Brujo
Muita alegria, muita danca e depressa a chuva e o frio ficaram a milhas de distancia.
Ojos de Brujo
Muita alegria, muita danca e depressa a chuva e o frio ficaram a milhas de distancia.

Galatea of the spheres - Salvador Dali
Ou o poder das coincidências.
Há uns tempos sonhei que uma prima brincava com uma filhota.
Uns tempos depois, a mesma prima engravidou.
Ontem soube-se que era menina.
“E esta, hein?”
In the darkness of this limbo, from where my future looks just a smear uncertainty, a shy light shines everytime I stop to think about possible research ventures… And the more I read, the more I think, rays of light start breaking through the darkness, throwing my heart into a frenetic race.
One project proposal to make and so many exciting oportunities! This limbo it’s becoming a dreamland where everything seems possible and only the evil lab fairy seems to be the limit.
In the meantime, I dream. And dreaming, a project (two, actually) start gaining shape. But most important than the shape, they already have my enthusiasm and my childish hope that “this is it!”. Will they allow my Eureka moment to come? Please, please, please, let me have thumbs up and money for it…
PS: I really do LOVE SCIENCE!
Apesar da já estar de “ferias” há duas semanitas, só agora vim a casa matar saudades (culpa dos papis que andam sempre a arrastar a malinha por esse mundo fora).
E estando há dois dias cá no cantinho, algumas caracteristicas que me fazem comichão vão sendo relembradas, a apontar:
1. Resmungar! Por tudo e por nada, sem pudor nem vergonha. Num passeio de 2 horitas pelo centro da cidade vi uma chávena de café ser partida (que desgraça) a anteceder os gritos de uma senhora ao seu marido “Foste tu com o jornal!”; um casalinho de adolescentes, caminhando à minha frente, onde a menina (será característica do XX?) passou 10 minutos a resmungar com o rapaz… E isto são apenas exemplos para não falar do estado do país (como se os mesmíssimos problemas não existissem noutros países), do tempo (ai o frio! Que frio…
) e sei lá do que mais.
2. Mania de falar sem conhecimentos. Não vou debater a polémica sobre Saramago e o seu novo livro (que já cá canta). Mas assim de repente, parece que todas as pessoas leram a Bíblia (!?!) e o livro que acabou de sair (tudo bem que é pequenino, mas custa-me a crer…)! Tudo fala sobre tudo, o que por si só seria um óptimo sinal se fosse precedido por uma pesquisa sobre determinado assunto. Mas não. Fala-se por se falar. Todas têm opinião sobre tudo, mas muitas vezes essa opinião é extremamente infundada e nasce mais do “para ser do contra” do que por uma justa ponderação dos argumentos.
3. Falta dinheiro mas sempre que cá venho só vejo pessoas vestidas e arranjadas com os últimos gritos da moda, com excelentes telefones (e em Portugal telefones são caríssimos), acabados de chegar de viagens espectaculares, tudo com carros, tudo com portáteis e maquinas fotográficas XPTO… Enfim, não percebo muito bem como tudo isto é possível, mas juro que não consigo ver muita pobreza, pelo menos nos centros das cidades.
4. Televisão!!!! Dio mio! Mas o que é aquilo!!!! Nada, nadica de nada de jeito!!! Os mesmos telejornais, as mesmas notícas. Os mesmos concursos e aquelas coisas de telenovelas… Onde estão os filmes? E os documentários? O que fazem as pessoas quando só apetece enrolar no sofá e abstrair do mundo?
5. Orgulhosos do país mas só para resmungar contra alguém. Como por exemplo no caso da actriz brasileira, onde não me pareça haver ofensa nacional nenhuma, apenas uma certa demência e ignorância de uma senhora que todos julgávamos culta e elegante…
A sério, Portugal é o máximo! Morro de saudades da qualidade de vida que se tem neste cantinho, com este tempo genial, gente bonita e comida deliciosa. Mas espero que as pessoas comecem a abrir os olhos durante essas inúmeras viagens, comparem e se apercebam da riqueza que há por cá! E já agora, comecem a exigir um entretenimento televisivo de maior qualidade! Ah, e lá por o vizinho ter umas botas/carro/ televisão de não sei quantos euros, nem todos temos de gostar das mesmas coisas, muito menos parecer iguais! Onde uns gastam, poupam outros e vice-versa!
… Investigadores que levantaram a ponta de um dos mistérios mais bonitos da genética celular: os telómeros!
Blackburn, Greider e Szostak receberam hoje o máximo reconhecimento atribuído a cientistas e eu, amante dos telómeros e, como tal, da investigação destes senhores, estou exuberante!
Todos nascemos a partir de uma só célula que se divide, divide, divide até formar um organismo completo. As células continuam quase sempre a dividir-se. Para que toda a informação genética passe de célula para célula, o DNA tem de ser devidamente copiado.
Antes da célula se dividir, o DNA compacta-se ainda mais e forma estruturas em forma de X (cromossomas), é copiado e cada cópia (metade do original + a sua cópia) vai para uma das duas células que se formam.
No entanto, os mecanismos que copiam o DNA não conseguem copiar as pontinhas dos cromossomas, o que causa a sua erosão com as sucessivas divisões celulares.
Essas pontinhas são os telómeros, complexos formados por proteínas que se associam à sequência genética existente no fim de todos os cromossomas (nos humanos, são repetições das bases TTAGGG). Os telómeros são extremamente importantes para proteger a integridade do resto do genoma (a molécula de DNA). Mas a sua função não se prende apenas com protecção, pensa-se que estão activamente relacionados com o envelhecimento e com cancro.
Como? O modelo actual propõe que, quando os telómeros (as pontinhas dos cromossomas) são demasiado pequenos após várias divisões celulares (noutras palavras, quando se envelhece), a função protectora fica comprometida e a célula activa sinais para parar de se dividir. Por exemplo o envelhecimento da pele (principalmente a falta de elasticidade) pode ser explicado pela diminuição do número de células devido à paragem das divisões. Contudo, algumas células “escapam” esse bloqueio e tornam-se “imortais” activando um dos mecanismos que elonga os telómeros. Um desses mecanismos é a enzima telomerase (descoberta pelos galardoados) que adiciona TTAGGG aos telómeros mais curtos das células humanas, facilitando a continuação da multiplicação celular. O outro mecanismo (que estudei no meu doutoramento) é o mecanismo alternativo de elongação dos telómeros (ALT), onde os telómeros mais curtos invadem uma molécula de DNA com a mesma sequência genética, copiando-a para se auto-elongar.
Antes da activação de um destes mecanismos, a célula passa uma fase de crise, onde o DNA pode ser afectado. Se tal acontecer e os erros no genoma não forem devidamente corrigidos, quando a célula se torna imortal tem potencialidade cancerigeno, devido a todas as lesões genéticas que contem. As células que derivarem desta célula serão também “mutadas”, o que eventualmente poderá gerar um cancro.
E é assim, muito simples e resumidamente, que os telómeros são considerados tanto como relógios celulares, como activamente envolvidos na formação de manutenção de células cancerigenas.
E é por isso que estes três senhores merecem este prémio.
E numa nota, a título de curiosidade, a área dos telómeros é genialmente populada por mulheres!
A primeira pessoa a notar que as pontas dos cromossomas teriam qualquer de especial foi uma mulher: Barbara McClintock;
A grande cérebro do estudo galardoado foi Elizabeth Blackburn;
Muitos dos chefes de investigação nesta área (como a minha orientadora de doutoramento) são mulheres. J
Since submission moved house in 2 days (which means shifting everything to the new house) and transformed the gipsy camp into somewhere more or less enjoyable…
Celebrations? Not yet…
Break and rest? Not yet…
Bruises and scratches? Millions!
At least the shopping-car that I kindly “borrowed” from a corner made my arm’s life much easier… ![]()
Um post muito especial, não pelo número mas porque finalmente submeti a minha tese!
Ironicamente comecei este blog mais ou menos quando comecei a escrever a tese. Pelo meio, um mês e qualquer coisa no laboratório, um mês mais em baixo no qual fui muito mimada, muito cinema, muitas series, descobri o mundo da blogosfera e nos “tempos livres” lá ia escrevendo qualquer coisinha, sempre com a sensação de que não conseguia ver o fim…
Mas com a pressão dos prazos, o tempo livre transformou-se em full-time e passei semanas quase sem sair da toca, a exercitar os meus dedinhos sem parar. Muito stress à espera de feedback que demorou mais (muito, muito mais) do que o desejado. Muito choro, muitas gargalhadas sem razão aparente. Foram meses em que a minha sanidade foi posta à prova e esteve perdida. Mas, agora que já foi submetida, só me parece impossível como é que estes meses passaram tão rápido… Já está? E agora?
Ainda falta o exame oral, mas a submissão de uma tese (já aprovada pela orientadora) é mesmo o início do fim. E para mim, o fim de 4 anos que completamente revolucionaram a minha vida.
Aprendi muito cientificamente, mas este doutoramento foi mais uma viagem pelo meu interior do que pela ciência. Aprendi que nunca se pode contar com mais ninguém a não ser com nós próprios. Triste aprendizagem? Não! De modo algum! Comecei este doutoramento com a “certeza” que tinha pessoas/alicerces suficientemente fortes para me apoiar “no matter what”. Mas a verdade é que, quando alguns desses alicerces ruiram, vi-me sozinha e entrei em panico. Durante este doutoramento fui obrigada a redescobrir-me, a aprender a encontrar forças dentro de mim e não depender em mais ninguém. Pode parecer muito trivial, mas a verdade é que sempre tive uma vida recheada de pessoas que me amam e nunca me tinha sentido sozinha no mundo. Nunca o estive realmente, houve sempre alicerces a apoiar-me, mas a queda de um desses obrigou-me a revolucionar o meu pequeno mundo.
E com o fim da tese chega também a certeza de que o consegui. Acabei o doutoramento (eu sei que ainda não está feito, mas a recta final é fácil) com forças vindas de dentro de mim. Quem me conhece pode não me rever nestas palavras, sempre fui apelidada de “extremamente forte”. E sou! A defender os meus direitos, mas principalmente a defender os direitos dos mais desprotegidos e dos que me são mais queridos! Mas a defender as minhas capacidades, a acreditar em mim, nem por isso. Eu sei do que sou capaz, mas como as minhas capacidades sempre foram tão louvadas, nunca desenvolvi a força interior necessária para puxar por mim quando o mundo colapsasse à minha volta. E olhando para trás, foi exactamente isso que aconteceu enquanto fazia a viagem do doutoramento. Fui abaixo mas ergui-me e acabei por não perder muito tempo… Sim, o doutoramento foi afectado, mas recuperei o tempo que perdi. E quatro anos passaram para, no fim, culminar num pequeno livro, mas sobretudo numa pessoa mais matura, mais forte e com mais fé em si própria!
Agora? Agora estou dormente. Ainda não assimilei completamente que realmente acabou. A universidade estava hoje cheia de alunos acabados de chegar, cheios de sonhos, prespectivas e ambições. “Há quatro anos era eu” pensei, com um sorriso nos lábios. E é com esse sorriso, salgado com lágrimas saudosas que já começam a cair, que encerro este post no. 100.